O uso de álcool e estimulantes afeta a percepção de risco ao HIV entre HSHs?

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Desde 2018, a PrEP está disponível no Brasil pelo SUS. Uma vez que seu uso é voluntário, recorrer à PrEP depende da percepção de risco de cada um para contrair o HIV. Tal percepção depende de múltiplos fatores, alguns que atuam casualmente. Sabe-se, por exemplo, que o uso de bebidas alcóolicas e outros estimulantes favorecem práticas consideradas de risco para a infecção de HIV. No entanto, tais práticas, ocasionais ou não, nem sempre são acompanhadas da consciência sobre uma maior possibilidade de infecção.

Elaborado por autores do INI, Fiocruz, um artigo[1] buscou avaliar, entre HSHs, esta relação entre a percepção de risco e o comportamento tomando como parâmetro o comportamento sexual e o uso de álcool e drogas estimulantes frequentemente usadas em festas, como ecstasy, anfetaminas e cocaína. Contando com 16.667 HSHs participantes, o estudo foi feito a partir dos resultados de um inquérito on-line.

A questão que avaliou a percepção de risco foi a seguinte: “em sua opinião, qual é o seu risco de pegar HIV no próximo ano?”. Voluntários que relatavam haver praticado sexo anal sem camisinha como passivo nos últimos 6 meses foram considerados em risco aumentado de se infectarem pelo HIV. A classificação de um uso abusivo de álcool ocorria quando o voluntário relatava haver tomado 5 doses ou mais de álcool no intervalo de 2 horas nos últimos 6 meses.

Cerca de 25% dos participantes acreditavam ter baixo risco de se infectar pelo HIV (baixa percepção de risco), contrastando com 40% que apresentaram alto risco de infectar. Dentro deste número, chamou ainda a atenção o fato de que os HSHs mais jovens apresentarem menor percepção de risco.

Ao menos um episódio de uso abusivo de álcool foi relatado por 70% dos voluntários, enquanto para o uso de drogas estimulantes o percentual foi de 20%. De modo geral, HSHs mais jovens tendiam a um maior uso abusivo de álcool, enquanto indivíduos autodeclarados brancos, mais velhos e com maior renda tendiam a fazer mais uso de drogas estimulantes. Apesar desta correspondência entre faixa etária e o tipo de substância, a percepção de risco foi desigual, sendo baixa entre os jovens e maior entre o segundo grupo.

Os resultados do artigo demonstraram que embora tanto o álcool quanto outras drogas influenciem a probabilidade do comportamento e percepção de risco, a incidência dessas práticas sobre a percepção de risco atua de maneira diversa segundo o perfil de faixa etária ou socioeconômico. Tal resultado levanta a necessidade de um modo de atuação diferente de acordo com cada perfil.

Fonte: Prep Brasil

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