Prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis no contexto da Prevenção Combinada

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As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos e transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) sem o uso de preservativo, com uma pessoa que esteja infectada. A transmissão de uma IST pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação.

Essas infecções podem se manifestar por meio de feridas, corrimentos ou verrugas anogenitais, mas muitas vezes não apresentam sinais e sintomas. Portanto, a terminologia Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) é utilizada atualmente em substituição à expressão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), uma vez que evidencia a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sendo assintomática.

            Nesse contexto, o uso do preservativo em todas as relações sexuais (orais, anais e vaginais) é um método bastante eficaz e continua sendo recomendado para prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (IST) e hepatites virais, estando disponível nas unidades de saúde para dispensação à população. Contudo, devemos destacar o conceito da Prevenção Combinada, o qual abrange além do uso do preservativo, outras ações de prevenção, como:

  • testagem regular para o HIV e outras IST – o diagnóstico precoce possibilita o tratamento adequado, evitando a transmissão para outras pessoas e garantindo a qualidade de vida. A testagem pode ser realizada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS);
  • prevenção da transmissão vertical – exames para detectar HIV, sífilis e as hepatites virais (B e C) no pré natal é um cuidado fundamental para evitar a transmissão da gestante para a criança. A parceria sexual também deverá comparecer ao serviço de saúde para ser orientada e tratada, a fim de evitar a reinfecção da(o) gestante;
  • gel lubrificante – deve ser sempre à base de água para não danificar o preservativo, tem papel na prevenção da transmissão sexual do HIV, uma vez que sua presença nas relações sexuais diminui o atrito e a possibilidade de provocar microlesões das mucosas genitais e anais, lesões estas, que funcionam como porta de entrada para o HIV e outros microorganismos. Recomenda-se seu uso associado ao preservativo;
  • imunização – a vacina contra Hepatite B é bastante eficaz, sendo necessárias as três doses para garantir a proteção. É importante também garantir a vacinação contra o HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos, visando protegê-los antes da exposição ao vírus. O grupo prioritário também inclui pessoas com imunocomprometimento, vítimas de violência sexual e outras condições específicas, conforme disposição do Programa Nacional de Imunizações, podendo nesses casos receber a vacina até os 45 anos;
  • tratamento como prevenção – o uso de medicamentos antirretrovirais faz com que as pessoas vivendo com HIV/AIDS alcancem a chamada “carga viral indetectável”. Pessoas vivendo com HIV com boa adesão à terapia antirretroviral e a redução da carga viral a níveis indetectáveis há pelo menos 6 meses, não transmitem o vírus por via sexual;
  • redução de danos para usuários de álcool e outras drogas – uma vez que o HIV e alguns vírus causadores de hepatites estão presentes no sangue, há risco de infecção a cada vez são compartilhados seringas, agulhas, alicates ou qualquer outro produto que corte ou fure. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda não compartilhar os equipamentos para o uso de drogas (seringas, cachimbos, piteiras, canudos etc), buscando reduzir os prejuízos sociais e à saúde;
  • profilaxia pré-exposição (PrEP) – é a utilização de medicamentos antirretrovirais por aqueles indivíduos que não estão infectados pelo HIV, mas se encontram em situação de elevado risco de infecção. Com o uso do medicamento, se houver contato com o vírus HIV, não ocorre a infecção;
  •  profilaxia pós-exposição (PEP) – é uma medida de prevenção de urgência para ser utilizada em situação de risco à infecção pelo HIV, existindo também profilaxia específica para o vírus da hepatite B e para outras infecções sexualmente transmissíveis (IST). Consiste no uso de medicamentos para reduzir o risco de adquirir essas infecções. Deve ser utilizada após qualquer situação em que exista risco de contágio, tais como violência sexual; relação sexual desprotegida (sem o uso de camisinha ou com seu rompimento); acidente ocupacional (com instrumentos perfurocortantes ou contato direto com material biológico). Precisa ser iniciada o mais rápido possível – preferencialmente nas primeiras duas horas após a exposição de risco e no máximo em até 72 horas – sendo  realizada por 28 dias.

Assim sendo, o princípio da prevenção combinada é de que esta deve considerar as especificidades dos sujeitos e de seus contextos, bem como o momento de vida de cada um. Assim, associa diferentes estratégias de prevenção ao HIV, em uma perspectiva voltada à saúde integral do indivíduo, com abordagens biomédicas, comportamentais e estruturais.

Nesse contexto, a oferta de prevenção combinada acontece na rede de atenção à saúde visando garantir o acesso dos(as)usuários(as) às ações de prevenção, oferta de testagem, conclusão diagnóstica, vinculação e retenção para o tratamento do HIV e de outras IST.

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